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Teresina: Profissionais de Enfermagem vão paralisam atividades por três dias; protesto marcado por emoção

Atualiada às 11h24

Enfermeiros, auxiliares e técnicos em Enfermagem decidiram paralisar as atividades por três dias a partir da próxima sexta-feira (05). O movimento foi decidido durante assembleia nesta terça-feira (02) durante protesto da categoria em frente à prefeitura de Teresina. Os profissionais protestam contra a redução salarial. A Prefeitura de Teresina argumenta que o corte ocorreu devido ao fim do repasse do Ministério da Saúde. 



"A paralisação começar na sexta às 7h e segunda às 7h. Por enquanto, a categoria da Enfermagem aprovou a paralisação por esses três dias, mas os médicos já entregaram seu plantões e outras categorias devem formalizar a paralisação na sexta-feira também", explica Erick Riccely, presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do Estado do Piauí (Senatepi).

Publicada às 10h

O corte de quase 50% no salário no mês de fevereiro levou enfermeiros, técnicos em Enfermagem, fisioterapeutas, entre outros da linha de frente contra a Covid-19, a protestaram em frente à prefeitura de Teresina nesta terça-feira (02). Para sensibilizar o poder público, profissionais do Samu levaram fotos de amigos que perderam a luta contra o vírus. Ontem (01), o presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Gilberto Albuquerque, e o prefeito de Teresina, Dr. Pessoa, se manifestaram sobre a redução salarial e apontaram o fim do repasse de recursos do Ministério da Saúde ainda em dezembro de 2020. 

"Nós queremos ser ouvidos. Acreditamos que existam outra formas da gente receber como ocorreu em janeiro. Acredito que os recursos do aluguel dos hospitais de campanha que foram desativados poderiam ser usados para isso", defende a fisioterapeuta Denise Cardoso, que trabalha como serviço prestado. Celetistas também participam do protesto. 

A manifestação teve início às 8h e cerca de 100 trabalhadores em saúde aguardam um novo posicionamento do poder público municipal. 

Emoção

O protesto também tem sido marcado por emoção. A técnica em Enfermagem, Elizângela de Jesus, pediu respeito e relembrou a perda do marido, o condutor do Samu, James Carlos,  que tinha 53 anos e trabalhava há 20 anos no Samu.

"Não queremos ser herois. A gente só quer respeito, a gente só quer reconhecimento e ganhar dignamente pelo que a gente faz e não é pouco. São 12 horas, 24 horas, 36 horas. É correndo de um local para outro porque temos que ficar na linha de frente e os colegas que tinham problemas de saúde ou mais de 65 anos tiveram que ser afastados", disse Elizângela que se emocionou ao relembrar do esposo que não resistiu à Covid-19.

"Ele morreu trabalhando. Ele se contaminou não foi na rua. Saímos de casa em 15 de março do ano passado, nos afastamos dos nossos filhos para protegê-los. Eu perdi meu esposo, meu colega de trabalho. Muita gente ainda vai perder e nesse exato momento está recebendo uma ligação de algum médico de UTI dizendo: infelizmente, não teve mais o que fazer. Quantos de nós não teremos  uma ligação dessa na família ou será se não seremos nós? no cortejo do nosso amigo José Ivaldo, eu estava abraçada ao meu esposo e disse: amor, espero que nós do Samu não precisemos mais fazer uma homenagem dessas. E nós tivemos que fazer pra ele. Espero em Deus que possamos vencer com vida", completou Elizângela de Jesus. 

 

VEJA NOTA DA FMS NA ÍNTEGRA

Por meio de nota, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina informou que não houve corte nos salários dos profissionais de saúde, eles continuam recebendo a insalubridade de 20% imposta em lei. O Governo Federal retirou os extras que eram recebidos em 2020 através de financiamento do Ministério da Saúde. O repasse financeiro do Ministério da Saúde girava em torno de R$ 13 milhões por mês e custeava despesas Covid em geral (incluindo os acréscimos salariais). O montante  foi cortado em dezembro de 2020. 

A Prefeitura de Teresina manteve ainda em janeiro de 2021,com recursos próprios, os pagamentos integrais. A FMS informa ainda que existe uma mobilização nacional das Prefeituras para tentar ver o custeio dessa despesa Covid junto ao Ministério da Saúde, mas os municípios ainda não obtiveram sucesso. 

O Ministério da Saúde cortou o custeio de despesas Covid como um todo, não só referente aos pagamentos extras para profissionais de saúde. Houve corte também quanto aos pagamentos de custos com insumos e outras despesas. A FMS custeia, no momento, com recursos próprios todas as despesas Covid na capital. 

Quanto ao Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ), a FMS informa que o mesmo foi extinto ainda em agosto de 2020. Houve a criação do programa Previne Brasil, o qual a Prefeitura de Teresina ainda não aderiu, porque parte do programa é custeado pelo Ministério da Saúde e outra parte pelo município, e isso ainda não está na previsão orçamentária de Teresina.

 

Flash Roberta Aline/Cidadeverde.com
redacao@cidadeverde.com


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